quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

• bons

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nem mesmo o melhor de todos os cristãos age por suas próprias forças. só o que ele faz é proteger uma vida que ele jamais teria adquirido por seus próprios esforços. e isso tem conseqüências práticas. enquanto a vida natural estiver em nosso corpo, ela fará o que puder para restaurá-lo. se ele sofre um corte, saberá se curar até certo ponto, de uma forma que nenhum corpo morto saberia fazer. da mesma forma, um cristão não é uma pessoa que jamais erra, e sim alguém que é capaz de se arrepender, reerguer-se e começar novamente depois de cada queda. a vida de Cristo está dentro dele, reparando-o o tempo todo, capacitando-o a repetir o tipo de morte voluntária que Cristo mesmo tomou sobre si.
eis a razão por que o cristão se encontra em circunstâncias diferentes de outras pessoas que tentam ser boas. elas acham que sendo boas podem agradar a Deus; ou, se elas acham que não existe Deus algum, esperam ao menos merecer a aprovação das pessoas boas. porém, o cristão atribui toda boa obra que faz à vida de Cristo em seu interior.  ele não tem a ilusão de que Deus irá nos amar porque somos bons, mas que Deus nos fará bons porque nos ama; da mesma forma que o telhado de uma estufa não atrai os raios de sol porque é brilhante, mas se torna brilhante porque o sol brilha nele.

c.s. lewis

1964, mere christianity.

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